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Uso de carro como meio de transporte deve cair 28% em SP na próxima década, diz consultoria

Levantamento aponta tendências em mobilidade urbana em 31 cidades do mundo. São Paulo é terceira cidade onde moradores estão mais propensos a mudar o uso dos transportes.

Por Patrícia Figueiredo e Ana Paula Campos, G1 SP e TV Globo — São Paulo
Criado em 17/02/2020 — Atualizado em 17/02/2020

Uso de carro como meio de transporte deve cair 28% em SP na próxima década, diz consultoria
Uso de carro como meio de transporte deve cair 28% em SP na próxima década, diz consultoria

O uso de carro como meio de transporte em São Paulo deve cair 28% nos próximos dez anos. É o que prevê um estudo feito pela consultoria Kantar, que analisou o futuro da mobilidade urbana em 31 cidades do mundo. O levantamento se baseia em entrevistas com moradores e análises de tendências feitas por especialistas.

A pesquisa mostra que São Paulo é a terceira cidade do mundo onde os moradores estão mais dispostos a mudar o uso de meios de transportes. A capital paulista fica atrás apenas de Manchester, na Inglaterra, e Moscou, na Rússia. Apesar disso, a cidade está na última posição no índice de confiança, que verifica o quanto os moradores acreditam que essa mudança deve de fato ocorrer.

Segundo o estudo, até 2030, o uso de bicicletas deve aumentar 47% na capital, contra um aumento de 10% no uso de transporte público e 25% nas caminhadas como modo de deslocamento. O valor é acima da média mundial, que prevê queda de 10% no uso do carro, aumento de 18% nas bicicletas e de 6% nas viagens a pé. Apesar disso, o aumento previsto no uso do transporte público pelo mundo é maior do que o verificado aqui: 49% é o crescimento médio mundial estimado para esse meio de transporte.

Para Rafael Calabria, coordenador de mobilidade urbana do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), a redução do uso do carro precisa ser acompanhada de investimentos mais corajosos na infraestrutura urbana.

"As pessoas querem mudar e não estão mudando, porque falta investimento em alternativas ao carro. O que mais pesa é a infraestrutura urbana: falta coragem em tirar o espaço dos carros e mudar o paradigma", afirma Calabria, que é titular do Conselho Municipal de Transporte e Trânsito de São Paulo.

"Isso quer dizer que a cidade ainda, desde o ponto de vista tecnológico, ainda não está pronta para essa mudança, embora as pessoas queiram", avalia Felipe Ramirez Lakhovsky, diretor de soluções para a América latina na consultoria Kantar.

Transportes paulistanos

De acordo com um levantamento feito pela Rede Nossa São Paulo em 2018, o paulistano gasta em média três horas por dia no deslocamento. Apesar de os carros serem os principais responsáveis pelos congestionamentos, o transporte coletivo é o mais usado pela população.

Segundo a pesquisa, 47% dos moradores de São Paulo usa ônibus, 22% usa carro, 13% metrô, 8% faz deslocamentos a pé, 4% de trem e 2% com transportes particulares, como Uber. O uso de motos e bicicleta é ínfimo: apenas 1% da população opta por cada um desses modais.

Os dados são da Pesquisa de Mobilidade Urbana na Cidade, feita pelo Ibope Inteligência a pedido da Rede Nossa São Paulo.

Para desestimular o uso do carro como meio de transporte é preciso deixar de investir em novas obras viárias, o que difere da postura adotada pela maioria dos governantes, explica Rafael Calabria, do Idec.

"A gente trabalha com o conceito de trânsito induzido: quanto mais você faz rua ou avenida, mais você estimula o trânsito", explica Calabria.

"As obras de infraestrutura urbana não apenas atendem quem já usa, elas funcionam como estímulo. Então, quando você cria uma nova linha de Metrô, você estimula o uso desse meio, enquanto ao criar uma nova avenida ou ampliar uma via, você estimula o tráfego de carros."

O pesquisador cita como exemplo a construção da terceira pista nas marginais, que foi entregue no início dos anos 2000 para aliviar o fluxo de carros na via.

"Quando o governo do estado criou a terceira pista, um estudo publicado mostrou que pouco depois o trânsito na região piorou, e não melhorou. Porque você, no máximo, resolve o problema de um local, mas as vias secundárias, que desembocam na marginal, continuam limitadas", afirma. "A longo prazo, você piora na via reformada e no entorno, porque estimula mais carro."

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